Fichamento 02 – Software Livre O posicionamento dos veículos de divulgação tecnológica

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Em “Software Livre O posicionamento dos veículos de divulgação tecnológica”, Jefferson Paradello quer discutir em seu artigo como periódicos sobre tecnologia no Brasil apresentam softwares livres como o GNU/Linux, comparando a outros sistemas operacionais pagos como o Microsoft Windows e o MacOS X. Depois de nos apresentar um pouco da história do software livre e como ele difere dos concorrente diretos, Paradello discute como a falta de popularidade dentre a grande parcela do público, especialmente quando se compara ao Windows e MacOX, poderia se explicar pela falta de maior divulgação entre até mesmo os periódicos de tecnologia.

Jefferson Sérgio PARADELLO

“Atualmente é inevitável viver no mundo industrializado sem o auxílio dos sistemas computacionais e das novas tecnologias.(…) Hoje, pela sua ampla difusão, os sistemas informatizados podem ser facilmente encontrados em segmentos comerciais, industriais e não obstante, nos lares, que cada vez mais fazem uso desses recursos mesmo sem o saber.”

“Microsoft Windows, desenvolvido pela Microsoft. Ele está presente em 89,6%6 dos computadores do planeta. Seus únicos e principais concorrentes diretos são o Mac OS X, da Apple, e o Linux. Este último se enquadra no universo do Software Livre por ter seu conteúdo produzido por colaboradores espalhados pelo globo e por ser distribuído gratuitamente. Além disso, seu código-fonte é disponibilizado para que toda e qualquer pessoa possa modificá-lo e distribuí-lo conforme suas necessidades ou interesses.”

“No caso do Linux, sua adoção ocorre pela eficiência e principalmente pela segurança que o sistema apresenta. Outro fator está ligado aos custos. O Software Livre, embora possa ser comercializado em alguns casos, reduze os gastos que usuários, empresas e corporações costumam ter com softwares ou sistemas proprietários.”

“Outro fator contribuinte para que outros sistemas despontem no mercado é a simplicidade e inovação que apresentam(…) Suas soluções, além de possuir preços mais elevados em relação às para Windows, eram destinadas a um público mais seleto.”

1. O Software Livre e suas vertentes
“Na década de 1960 começam a surgir soluções que oferecem uma resposta mais rápida a uma solicitação. O Multics abriu portas para que a tecnologia de sistemas operacionais pudesse deslanchar. Com ele foi possível realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, ou seja, foi considerado uma plataforma computacional multitarefa.”

“Mais tarde o Multics foi reescrito em Assembly por Ken Thompson e batizado de Unics. Brian Kernigham o rebatizou de UNIX. Algumas universidades dos Estados Unidos já estavam interligadas e transferiam dados pela rede, que posteriormente viria formar a Internet que conhecemos hoje”

“Deitel, Deitel e Choffmes (2005, pág. 9) falam que: Os anos 80 representaram a década do computador pessoal e da estação de trabalho. A tecnologia do microprocessador evoluiu até o ponto em que era possível construir computadores de mesa avançados (denominados estações de trabalho) tão poderosos quanto os de grande porte de uma década atrás.”

“Na década de 1980 ele praticamente dominou o mercado, seja diretamente ou com suas ramificações que começaram a surgir posteriormente. Apesar disso, essas soluções, mesmo que com a possibilidade de alterar o código-fonte do sistema e customizá-lo, eram comercializados, partindo do princípio de que se colhe aquilo que se planta”

1.2. Free Software Fundation, defesa pela liberdade
“Stallman fundou a Free Software Fundation e criou o projeto GNU – uma abreviatura que significa “GNU não é UNIX” – porque discordava do conceito de vender permissão para utilizar software. Ele acreditava que dar aos usuários a liberdade de modificar e distribuir software levaria a melhores softwares, orientados pelas necessidades dos usuários, e não pelo lucro pessoal ou corporativo.”

“Essa iniciativa foi um reflexo contrário ao que algumas empresas de softwares faziam na época. Além de ocultar o código-fonte de diversos programas, estes eram disponibilizados apenas por meios comerciais. Com isso, diversos programadores aderiram à ideia de desenvolver projetos que fugissem dos tentáculos proprietários e alcançassem o maior número de usuários possíveis.”

1.3. De Stallman a Torvalds
“No entanto, o mais importante, o Kernel do sistema, considerado seu coração, ainda não havia sido desenvolvido. Então, em 1991, Linus Torvalds, um estudante Finlandês, começou a desenvolver o núcleo daquele que viria a ser o Linux que hoje conhecemos, derivação do nome do autor e o UNIX.”

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1.4. Os primeiros anos do Pinguim
“É importante ressaltar que o projeto GNU estava praticamente pronto quando Torvalds surge, desenvolvendo o Kernel, a parte que faltava para que o sistema ficasse completo. Por isso existe essa referência ao sistema como GNU/Linux. Com as implementações e modificações, nos anos seguintes a 1991 ele foi se mostrando uma solução e alternativa aos outros sistemas proprietários.”

“Atualmente existem mais de 300 distribuições do Linux, entre elas a brasileira Kurumim, desenvolvida por Carlos E. Morimoto. Como apontam Della Valle e Ulbrich (2003), o chamado GNU/Linux é um conjunto de centenas de distribuições diferentes desse sistema operacional de código aberto, cada uma com suas próprias idiossincrasias.”

1.5. Software Livre x gratuito
“É necessário ressaltar a diferença entre Software Livre, que possui seu código aberto, e o gratuito. Nem sempre gratuito é sinônimo de livre. Apesar de que o Linux disponibiliza seu código para consulta e alteração e ainda assim é gratuito.”

2. As pedras no caminho do usuário e a pirataria
“Quando a grande massa ouve a palavra Linux, aqueles que já ouviram ou leram alguma coisa sobre o assunto acreditam se tratar de um sistema difícil, com poucos recursos e, por tanto, pouco usual.”

“Além disso, têm se na chamada memória coletiva das pessoas que Software Livre é ruim, é inferior. O que acaba chateando usuários, no caso daqueles que já apresentam alguma familiaridade com o Linux, é a falta de programas semelhantes encontrados no Windows e escritos para a plataforma livre.”

“O sistema era utilizado por pessoas que tinham algum conhecimento ou curiosidade por programação e se aventuravam a tentar usá-lo. No entanto, isso dificultava a adesão por parte dos usuários, que, por mais simplório que fosse, tinham sistemas com interface gráfica, facilitando a maneira de trabalhar.”

2.2. Políticas de expansão para usuários domésticos
“Nos últimos anos, políticas de expansão do Linux, principalmente para usuários domésticos, tem sido adotada pela comunidade. Por outro lado, fabricantes de computadores começaram a perceber que esse mercado está se espandindo e pode, claro que não na proporção do Windows, vir a gerar lucros mais signicantes. Os desenvolvedores criaram então o mais famoso e, na opinião de usuários, a mais amigável e interativa distribuição para usuários domésticos, o Ubuntu.”

2.3. Software Livre no combate a pirataria
“Em 2005 o governo Lula lançou o projeto PC Conectado, que posteriomente foi batizado de PC para Todos. O programa previa uma expansão da informática para as classes menos favorecidas no País, ficando conhecido como meio de inclusão digital”

“Apesar das diversas tentativas da Microsoft em disponibilizar seu sistema Microsoft Windows Starter Edition, os dirigentes do projeto perceberam que além de elevar o preço do computador, o usuário encontraria algumas restrições com este sistema, que pode ser considerado com um Windows XP enxuto.”

“Mas o grande problema disso tudo é que, mesmo não possuindo um computador em casa, ou antes de possuir, a grande maioria das pessoas já tem o Windows como referência e tudo o que não refletir esse sistema é ruim.”

“O Computador para Todos veio com a intenção de difundir a inclusão digital, mas sua tentativa frustrada apenas alavancou a situação da pirataria de software, talvez pela falta de um investimento em centros de ensino que possam ensinar Linux ou de uma divulgação dos benefícios que o sistema pode trazer e como, pelo exercício da cidadania, poderíamos ser virtualmente corretos.”

2.4. Orgãos governamentais migram para o pinguim
“Os administradores ligados ao governo federal de diversas localidades do Brasil tem percebido o potencial do Software Livre e que por meio dele podem reduzir gastos com softwares proprietários, implementando as mesmas funcionalidads por eles oferecidos.”

3. Análise de discurso dos mais populares periódicos de tecnologia
3.1. Roteiro para uma análise de discurso
“Primeiro deve-se ver a discursividade do texto, construir o objeto discursivo e desfazer a ilusão de que aquilo que foi dito só poderia ser daquela maneira.”

3.2. Revista Info
“A revista Info do mês de novembro de 2008 trouxe 178 páginas de informações tecnológicas. No entanto, o Software Livre foi lembrado subjetivamente em apenas seis elas, de maneira indireta.”

“Nessa peça publicitária, eles apontam que na verdade não é tão difícil usar esse sistema. “Nunca foi tão fácil usar Linux no desktop ou no notebook.” Mas a impressão é meramente capitalista(…) Então, sem um curso INFO você nunca saberá usar o Ubuntu. Para que, então, servem as comunidades espalhadas pela Internet, inclusive as em português? E os HOWTOs? E os fóruns e as próprias dicas que os desenvolvedores dão sobre o sistema?”

3.3 Revista W / http://www.com.br
“Em suas 98 páginas da edição nº 101, apenas uma referência, perdida em meio ao texto, considerou que o Software Livre existe.”

3.4 Revista PC World
“Máquinas mais baratas costumam vir com Linux. Se você prefere o Windows, fique atento a esse detalhe.” Não foi preciso dizer, mas ele associou máquinas baratas com um sistema operacional inferior. A idéia nítida que a informação passa é a de que o Windows sempre é a melhor opção. E, claro, o Linux é apenas um “quebra-galho”.

3.5. Caderno de Informática do jornal Folha de S. Paulo
“Já no dia 3, apenas uma notícia fez referência o sistema aberto. O texto fala sobre um clone do Google Chrome, o navegador do Google, criado para proteger a privacidade dos usuários, que segundo a reportagem, enviaria dados dos internautas para a empresa. Eles fazem referência de que uma programadora aproveitou o código aberto para fazer uso e adequá-lo de acordo com sua necessidade. A sorte foi a de que não falaram de uma possível má funcionalidade do navegador por usar código aberto, e sim pelo quesito privacidade.”

Conclusão
“Após a análise, o que cabe concluir é que os veículos de comunicação estudados não tem oferecido em suas páginas espaços suficientes para a divulgação do Software Livre. Em alguns casos, eles aparecem mais como um elemento comum no universo tecnologico e que não ganha destaque.”

“Apesar de existirem diversos periódicos que tratam sobre o assunto, seu público é mais fechado e seus artigos e tutoriais são voltados para usuários experientes em relação ao tema. As revistas ditas populares são a porta de entrada para a divulgação das soluções livres que, também, podem levar profissionais a conseguirem bons empregos trabalhando apenas com Software Livre.”

“Mediante essas ponderações, os sistemas livres precisam ser mais difundidos no País e, com exemplos como dos órgãos governamentais, necessitam ser oferecidos aos usuários e utilizados por eles para que estes enxerguem que existem alternativas gratuitas no mercado e, a partir disso, tenham opinião própria para tecer seus comentários baseados naquilo que conhecem e não naquilo que leram, ou não.”

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